Depósitos da Alma

Sou um mero romântico...e utópico

terça-feira, dezembro 06, 2005

palavras soltas... ou não..

Hoje acordei a esperar que o sol nascesse, a dizer o que já foi dito, fui devagar para poder encontrar o que me falta… mas o medo prendeu-me como um íman que me separa do que quero alcançar.
O céu descobriu quem sou e percorreu todos os caminhos para me encontrar. Depois, soprou para apagar o sol e veio a lua, indiscreta, para não se perder. Eu esperava ansiosa pelo sono, mas em vão, ele não vinha… havia uma escuridão azulada e um silencio religioso… apenas a musica rouca e doce que fazia vibrar cada osso. Não era preciso falar… ambos sabíamos o pensamento um do outro! Era uma noite diferente… feita de algumas frases e muitos silêncios, um olhar, duas palavras, três danças e foi o fim… os seus olhos perto dos meus, perguntavam o que eu não sabia, mas sabíamos que juntos percorríamos o caminho certo… o sorriso, o sonho e o entendimento chegavam sem que os procurássemos. Olhava para o relógio e desejava que as horas não passassem... ou mesmo que parassem...
As estrelas dançavam no céu apontadas pelo pico de cada pinheiro.
Eram tudo palavras que a vida se encarregara de espelhar aos quatro ventos… é como a musica ao libertar, prende ainda mais… mas eu escondo-me por entre os receios. As sensações estão fora de horas… é por isso que vim à procura do lugar ideal: onde os homens não têm pressa, as mulheres não envelhecem, onde as palavras não são usadas em vão, onde o sol dura mais que em qualquer outro lugar e a rainha lua se move lenta e sonolenta… o silencio também é uma boa companhia…
Estendi-lhe a mão como quem dá a alma e falei-lhe ao ouvido como quem beija… foi ai que o meu coração regressou envergonhado… tantas coisas domei, só não consegui domar o meu coração…
Antes que o sol se apague definitivamente no mar, deito-me na areia até ao sol seguinte, para ver se aprendo a acreditar na vida, porque mesmo quando sigo sem rumo vou de encontro a ti... não percebo… cruzas-me sempre…o coração tem razoes que a razão desconhece… mas era isto que queria para sempre.. rodear-me de mar, de salpicos salgados e de ti… Paula Silva